sexta-feira, 14 de maio de 2010

Crônica 006 - Memória Virtual

"Para iludir minha desgraça estudo.

Intimamente sei que não me iludo."

Poema Negro - Augusto dos Anjos

Para iludir minha pequenez escrevo.

Intimamente sei, certo, que esmoreço.

Hoje, ao entrar no Orkut, vi uma comunidade de um servidor extinto de Ragnarok em que joguei entre 2005 e 2006. Todos os outros membros saíram e a única coisa que sobrou lá fui eu e uns dois tópicos... Nostálgico, decidi procurar no Google por outros rastros do Server perdido e acabei encontrando um fórum aqui, algumas referencias ali e nada mais...

É curioso que, mesmo depois de quatro anos, ainda restem marcas da existência de algo virtual, que nunca existiu fisicamente. Por conseguinte, lembrei de um fórum que eu freqüentei durante vários anos, no qual fiz muitos amigos, mas que também acabou encontrando seu fim. Ocasionalmente, converso com alguns dos ex-membros, e isso tende a acabar em conversas um tanto quanto melancólicas...

Então, só então, me voltou, como uma onda de recordações, essa reles taverna que ainda mantenho. Faz mais de um ano desde meu último post, tanta coisa aconteceu... Pensei em retomá-lo tantas vezes... Pensei em postar tantas coisas... E nada fiz. Alguns escritores tentam se imortalizar em suas obras. Fazer isso com um blog não parece tão absurdo...

Alguns instantes após eu postar esse texto, eu irei tomar banho e sair para trabalhar. Tantas coisas podem acontecer nesse novo dia: eu posso escorregar no banheiro e bater a cabeça, posso ser atropelado, vitimado por uma bala perdida, morto em um assalto, um elevador pode despencar sobre mim, eu posso ser eletrocutado por um fio desencapado... A existência é frágil e somos tão perenes... Mas, mesmo que eu morresse hoje, que eu morresse agora, meu blog continuaria existindo por sabe lá Deus quanto tempo... Cartas, diários, em suma, papéis, são degradados pelo tempo e, mesmo que alguém me dê algum valor e decida honrar minha memória, acabarão por se extinguirem...

No mundo virtual a coisa é um pouco diferente... A menos que o servidor que mantêm meus textos ou a própria rede seja desativada, minha marca ficará por anos e anos a fio, perdida no limbo virtual, mas ainda assim lá! Penso nos perfis de Orkut das pessoas que morreram... São muito mais que um epitáfio.

Sou tão pequeno, tão frágil, tão vil, tão mesquinho, tenho tantos medos e tão poucos sonhos, que são tão pretensiosos! Mas eu, como toda carne, devo findar... Para aqueles que um dia me apreciaram, e para aqueles que um dia talvez, por algum motivo, venham a ouvir falar de mim, deixo esta saudação. Uma saudação que, por enquanto, ainda é deste lado da existência, mas sabe Deus até quando...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Crônica 005 - TCC


Tão atroz foi minha ausência dessa minha reles taverna que não espero que vocês, meus caros e estimados leitores, me perdoem pela falta de posts! Felizmente vocês não existem e, obviamente, não poderão me culpar!

De qualquer forma me justifico: estou em uma grande missão de nível épico que é o TCC, Trabalho de Conclusão de Curso (ou Trabalho de Confusão de Cabeça segundo alguns). Apenas esperem e algo abissalmente excelente irá brotar dos meus esforços, um trabalho Fantástico, localizado na hesitação entre o Maravilhoso e o Estranho, pendendo caoticamente para os dois lados. Todorov teria inveja!

Esse pergaminho será curto, pois tempo me falta e criatividade também, mas esperem mais alguns meses e vocês terão novas notícias de mim! Isso se meu TCC não começar a criar tentáculos denteados e tentar me devorar...

Ei! Que gosma verde é essa escorrendo da prateleira????

Nota: A foto foi afanada aqui.

sábado, 29 de novembro de 2008

Crônica 004 - Zé do Caixão


















Imagem afanada aqui

O que é a vida?
É o princípio da morte!
O que é a morte?
É o fim da vida!
O que é a existência?
É a continuidade do sangue!
O que é o sangue?
É a razão da existência!”

................................ Zé do Caixão


Sem firula: quem me conhece sabe que eu não sou de ficar pagando pau para gente famosa. Mas, porém, no entanto, todavia, este é um sujeito que eu respeito um bocado: José Mojica Marins, mais conhecido, embora erroneamente, como Zé do Caixão (este é um personagem daquele, e não ele mesmo, nem uma segunda personalidade, nem um heterônimo, nem um alter ego, nem um... ah, vocês entenderam!).

Responsável por muitas inovações no cinema, Mojica é respeitado em diversos países e menosprezado em seu próprio: esse cabaré a que chamamos Brasil.

Para a maior parte dos nossos conterrâneos, o Zé é só um tiozão trevoso de unha comprida... Não digo que todos devam gostar do gênero trabalhado por ele, mas nós deveríamos nos orgulhar desta pérola negra que possuímos: os filmes do dito cineasta talvez sejam alguns dos maiores gritos que possuímos nas telonas. É um horror nacional, com ares brasileiros, com cheirinho de feijão! Diria até mesmo Tutu de Feijão!

Para aqueles que alegam nunca ter tido a oportunidade de ver Zé do Caixão nem nas telonas nem nas telinhas, eis a chance: foi lançado neste ano seu novo filme, Encarnação do Demônio.


Esse filme completa a trilogia iniciada com À Meia Noite Levarei A Sua Alma e continuada com Esta Noite Encarnarei Em Teu Cadáver. Novamente Mojica surpreende e se faz merecedor de diversos prêmios (internacionais, obviamente...).

Não me prolongarei. Informações sobre Zé do Caixão e sobre José Mojica Marins são bem fáceis de se encontrar na internet. Concluo este breve post com uma foto que tirei com ele durante a FENALBA deste ano, no dia 16 de novembro, em Santos.

sábado, 27 de setembro de 2008

Crônica 003 - Pernilongos

Cá está vosso querido bardo novamente, meus estimados leitores. Perdoem-me pelo longo tempo que vos deixei ávidos por novas palavras minhas. Falo como se alguém freqüentasse assiduamente essa reles taverna que chamam de blog (ou esse reles blog que eu chamo de taverna), mas não pensem que tenho essa pretensão, apenas faço isso por “estilo régio”, como diz Ariano Suassuna, através de Dom Pedro Diniz Ferreira-Quaderna.

Na verdade verdadeira, sequer tenho a pretensão de imaginar que alguém inda entre cá nessa espelunca, já que meu último post foi há muito tempo atrás...

Não digo que me esqueci dos meus fiéis e dignos leitores, isso jamais! Cheguei até mesmo rascunhar diversos textos que postaria aqui, mas, por diversas intempéries da vida, acabei não postando nenhum.

Poderia dizer que meu blog está às moscas, mas acho essa expressão vulgar demais para o meu respeitável, embora humilde, estabelecimento. Direi então que ele está aos pernilongos. E por que isso? Não, não é plágio, embora haja uma afirmação quase igual em um outro blog... 

É que, há não muito tempo atrás, tive um problema com esse tipo de ser voador: eles, ou melhor, elas, já que os que se alimentam de sangue são apenas as fêmeas grávidas (Viram só? Não são apenas as mulheres que possuem desejos estranhos durante a gravidez!), infestaram completamente a minha casa! A situação estava tão crítica que, na tentativa de me proteger do ataque noturno, cobri-me até a cabeça. O resultado disso é que elas atacaram a única parte do meu corpo que estava desprotegida: os dedos! Entre zum-zum-zuns e picadas, acabei passando quase toda a noite em claro... 

Faço então, nessa crônica, uma homenagem aos pernilongos: seres pequeninos com uma enorme capacidade de apoquentar. 

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Crônica 002 - XVI EIRPG


Post bem, bem, mas bem mesmo atrasado!! (huahauhaua)

Nos dias 5 e 6 de julho de 2008 aconteceu o XVI Encontro Internacional de RPG em São Paulo, do qual eu tive o imenso prazer de participar (segundo muitos, o segundo maior evento de RPG do mundo, perdendo apenas para o Gen Con, que ocorre nos EUA). O post está vindo com todo esse atraso porque demorei alguns dias para voltar de São Paulo e quando cheguei o computador estava quebrado... Bem, é a vida...

Para facilitar a leitura desta crônica, dividi-la-ei em partes, começando por:

Parte I – A Jornada

Aqui desviarei novamente do assunto inicial, desta vez para citar algumas particularidades da jornada épica para se chegar até o local onde se realizaria o dito encontro. Começaríamos nossa empreitada em três bravos e valorosos aventureiros: esse talentoso e humilde bardo que vos fala, o meu jovem e cabeludo irmão e um companheiro de longa data, também experiente nesses assuntos rpgísticos. Porém as tramas do destino são vis e enredam aqueles que menos esperam. Assim elas agiram, atacando repentinamente os bravos aventureiros: meu irmão caiu de cama, vítima de uma forte Erisipela, e meu amigo foi afastado do grupo por motivos pessoais. Acabei tendo que travar uma jornada solitária.

Inicialmente iria na quinta de noite e, como o evento era só no sábado, teria sexta-feira inteira para errar pela Avenida Paulista, que fica nas cercanias da residência de meu tio, local onde eu me hospedei. Porém, compadecido pela perda de um dos meus leais camaradas, acabei adiando a viagem para sexta de manhã. Pretendia chegar no horário do almoço, assim teria a tarde inteira livre. Quem me conhece sabe das minhas desavenças com o Senhor Tempo, característica também presente no nobre shinobi da Vila Oculta da Folha, Hatake Kakashi. Mas, como disse José de Alencar em “Cinco Minutos”, a pontualidade é um mau hábito. Resumindo: acabei chegando em São Paulo na sexta feira depois das 16:00 e nem saí... Fiquei no ap do meu tio preparando a aventura que iria mestrar no dia seguinte.

Parte II – Sábado

É impressionante a capacidade inata que os nerds possuem de identificar os seus iguais (ou a facilidade que qualquer um tem para identificar um nerd). Logo ao entrar no metrô já pude imediatamente perceber quais passageiros dirigiam-se para o evento, e tive minhas suspeitas comprovadas ao ver todos eles descerem na mesma estação que eu.

Mesmo com o meu atraso, acabei chegando razoavelmente cedo, ou pelo menos antes da abertura. O povo dos estandes conseguiu chegar depois de mim! Huahauhauaha.

A seção de jogos usados estava com fila, como sempre, embora não possuísse tantas coisas interessantes lá dentro. Quase filei um Call of Cthulhu 5° Ed. da Chaosium, mas fui enrolado e injustiçado... >.<”
Uma lista dos espólios de batalha será relatada em breve.

Pretendia mestrar pela manhã, mas, como todo sábado de manhã de Encontros Internacionais de RPG, a quantidade de mestres era arrasadoramente maior que a de jogadores. Esse povo está ficando folgado: querem ganhar vale lanchinho e camiseta sem mestrarem! Nessa brincadeira fui incluído no excedente e tive que mestrar de tarde...
Felizmente encontrei um conhecido lá e me uni ao grupo deles para participar do Desafio D&D! Terminamos em 7° lugar, mas até que foi bom para um grupo que fez caca logo na primeira prova e teve que fazer todas as outras sem equipamento nenhum, só de tanguinha a lá Conan... >.<”
Detalhe: fomos o grupo que conseguiu terminar a prova do Twister mais rápido! Huahauhaua!

No período da tarde mestrei uma aventura pronta de Call of Cthulhu e ainda tive a oportunidade de relembrar uma teoria que há muito estava adormecida na minha cabeça. Não convém explicitar tal teoria aqui.
Nota: a aventura pronta era um bocado inverossímil, mas foi bem divertido.


Parte III – Domingo

Comecei o dia jogando Expedition to Hollow Earth, excelente sistema pulp que, como quase tudo que é bom, não teve tradução (Devir, Devir...). Faltaram algumas oportunidades de chutar umas bundas branquelas de nazistas devido à concorrência acirrada, mas foi bem legal.

Durante à tarde participei de um Live que unia personagens de diversas séries de Tv com temática sobrenatural (Supernatural, Blade, Buffy, Ghost Wisperer, etc). Como não consegui pegar o Dean para jogar, me contentei em jogar com um humano normal. Devido a isso, fui agraciado com o conhecimento do que acontece com uma pessoa que tenta bater com uma haste de ferro no Blade, embora isso não tenha feito muito bem para a saúde do meu personagem...
Foi bem divertido e no final morreu todo mundo (com exceção do Blade, claro, e alguns vampiros que estavam na forma astral...)

Parte IV – Final

Na segunda feira, já passado o evento, por fim errei na Paulista!!
Pena que o SESC, o Itaú Cultural e outras coisitas assim não abrem de segunda. >.<”
Contentei-me então em me dirigir para a Moonshadows (não contarei o que é! =P), parando no caminho em um sebo no qual eu encontrei alguns tesouros, entre eles o Forgotten Realms publicado aqui no Brasil pela Abril, Shadowrun 2° Ed. e Toon. O primeiro não quis, o segundo já tinha, mas o terceiro era algo que estava na minha lista de busca e já estava esgotado há alguns anos.

Espólio de Batalha (Pretendia colocar uma foto, mas ainda estou tendo alguns problemas com o pc, então segue apenas a lista):

- Castle Falkstein
- Mage: The Ascencion
- The World of Indiana Jones: Raiders of Lost Ark Sourcebook
- Catálogo do Samurai Urbano
- Gurps Illuminati
- Dias da Meia Noite
- Criaturas da Noite
- Fábulas: 1001 Noites
- Toon
- O Resgate de Retirantes
- Mundo de Og

Encerro aqui o post.
Ps: Ao ler esse texto, achei um saco. Espero que vocês, excelentíssimos leitores, não pensem assim...

Pérolas:

Vampiro possuindo um humano armado com uma haste de ferro (eu!): Eu enfio o ferro no Constantine!Constantine vira de costas, levanta a parte de trás do sobretudo e dá uma abaixadela.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Crônica 001 - Da difícil arte de se jogar RPG.





Já faz algum tempo que eu acalentava a idéia de criar um blog, mas falta de tempo, mente cheia e preguiça me levaram a empurrar com a barriga tal empreitada. Ainda assim, cá estou, escrevendo esse texto para postar em um blog que ainda nem abri!

Se os motivos determinantes dessa resolução tomada em um repente demorado serão ditos aqui futuramente ou morrerão no silêncio, só Deus e Cthulhu sabem. Acho que alguns outros seres como Azathoth ou qualquer Old One da vida aí também sabem, mas imagino que não dêem a mínima...


Azathoth dando a mínima para os meus problemas...

Agora partamos para o tema principal deste post, que trata “Da difícil arte de se jogar RPG”, como está claramente especificado no título do post e que escrevo aqui simplesmente para fazer volume e levar meu muito bem quisto leitor a ler um pouco mais. Ler faz muitíssimo bem! Claro que se você, excelentíssimo leitor, estivesse lendo algo mais relevante seria muitíssimo melhor e também seria do meu completo agrado.

Continuando, para aqueles que ainda se interessam, que não se enfadaram nem partiram para uma leitura mais construtiva, afirmo que jogar RPG é uma coisa dificílima cujo ND aumenta mais e mais a cada ano que passa. Erguer-se-ão contra mim, ao ouvirem tal afirmação, todos aqueles que dizem que jogar RPG é fácil e que qualquer um pode jogar. Rebaterei dizendo que eles têm razão, que a prática do RPG é simples, divertida e com um monte de benfeitorias para os jogadores. Eu mesmo já falei na faculdade sobre RPG aplicado na educação.

Mas então o que eu quis dizer com aquela afirmação sacrílega? Como jogar RPG pode ser tão problemático? O que diabos é RPG, Cthulhu, Azathoth, Old One, ND? Não explicarei tudo isso nesse post, mas, ao falar sobre a dificuldade em se jogar RPG, me referia aos problemas em arrumar grupos, mestres e tempo para jogar. Ah, agora sim – muitos dirão, pois tenho certeza que quase todos os que jogam há algum tempo já passaram por esse tipo de problema, tendo que suportar longos e graves períodos de privações desse hobby.

Veio-me a idéia de criar esse texto exatamente pelo fato de eu ter conseguido enfim quebrar o regime sem RPG ao qual eu estava submetido. Depois de vários meses tentando marcar uma sessão de jogo, desmarcando as marcadas, finalmente consegui mestrar para um grupo de iniciantes (a propósito, o grupo de RPG com mais mulheres no qual já estive o.o”). Mesmo assim, quase que o jogo acabou não saindo. A Lei de Murph estava ativada no máximo, e deu-se a seguinte soma de fatores:

- Irmão com erisipela
- Mãe em São Paulo fazendo compras
- Pai trabalhando
- Eu sem saber nem o endereço nem o número de telefone da jogadora que sediaria a sessão.

No fim ficou o coitado do meu irmão com as pernas para cima em casa enquanto eu parti a esmo tentando achar o prédio em que a dita jogadora mora, tendo como únicas referências o ponto de ônibus onde eu deveria descer e uma vaga lembrança da fachada do prédio (detalhe ínfimo: os prédios da região são quase todos iguais). Depois de rodar durante um tempo acabei encontrando uma garota que já havia visto no profile do orkut da anfitriã do RPG e decidi segui-la. Ela não me notou e, felizmente, eu estava correto: ela também iria jogar e se dirigia para o mesmo lugar que eu, embora soubesse para onde iria, diferente de mim.

Mas, no fim, depois de eu ter dado uma de andarilho e agente secreto, deu tudo certo e jogamos Shadowrun, um RPG futurista/cyberpunk muito bom (o logo no topo do post é do sistema citado =]). Segue abaixo uma das pérolas da sessão:

Pérola – Os jogadores enfrentavam alguns membros de gangue que estavam em motos:
Fusora Troll: Eu tento dar um soco em um deles.
Erro Crítico!!!
Mestre: Você colidiu com ele e ambos foram ao chão com a moto.
Enquanto eles se levantavam,
Elfa Roqueira: Vou atacar ele com a katana!
Erro Crítico!!!
E leva katanada a Troll...

Obs: Texto postado com dois dias de atraso (huahuahuahuahua).